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It’s a Match: criei um perfil no Tinder e agora?

Assim se passaram 8 dias desde o meu último diário amoroso-científico. Se ainda não viram está tudo aqui, experimentem não rir.

Pois bem, no Domingo passado, a noite máxima dos Santos Populares em Lisboa, criei o meu perfil no Tinder. Será sempre recordada esta noite, como um momento de viragem. Não me dei a muito trabalho afinal de contas a ideia era tão só e apenas ver o que acontecia e perceber qual é a ideia destas aplicações. Escolhi duas fotos, uma que gosto especialmente e outra que mostra muito mais de mim do que as pessoas possam pensar. Às vezes pergunto-me o que é que as pessoas pensam quando olham para as fotos? Afinal de contas o primeiro contacto é esse, fotos, cenas estáticas em que a dificuldade é perceber quem está do outro lado. Mas é ai que a emoção vem ao de cima. O meu perfil gritava: miúda gira, míope, que gosta de se divertir. O que não é errado.

Com o perfil criado à hora de jantar, com a minha sidekick, não demorou muito a existirem matchs. Só depois percebi que o chat só era possível se eu pusesse like num perfil e esse mesmo perfil retornasse o like. Vi rapazes que andaram na escola comigo, vi o rapaz que trabalha na Padaria Portuguesa da 5 de Outubro, vi o rapaz que me instalou a vodafone e vi até pessoas com fotos nuas apenas com um arbustos nas zonas íntimas. Se era escusado ter visto isto? Sim! Dava até para fazer um top de perfis que deveriam ser apagados pela própria aplicação por criaram agonia. E não estou a falar só de fotos, falo também do “Acerca de mim” em que é permitido escrever 500 caracteres dos textos mais filosófico-mentirosos e falso-inspiradores de sempre. Dói a alma ao ver que muitos deles diziam apenas “Se queres que alguma coisa aconteça, põe tu conversa”, do género “Não mereces o trabalho de dizer um olá por isso faz-te à vida”. What? Ah e esqueci-me de contar pelos dedos da mão as vezes que vi perfis de homens de aliança ou com fotos cortadas em que se via claramente que a outra cabecinha encostada era a de uma mulher. Malta, vocês conseguem fazer bem melhor que isto okay?

Já não me lembro bem quantos matchs houve nessa noite mas aquilo que me recordo foi da primeira conversa que tive. Que de estúpida tinha tanto como de desnecessária. E atenção, que esta conversa poderia ter melado tudo o resto. A minha investigação no Tinder poderia ter acabado ali, não fosse a minha resiliência ou capacidade de ignorar este tipo de malta. Um rapaz põe conversa, o habitual e diria até secante, mas necessário questionário. “És de onde? Fazes o quê?” e eu respondi da forma mais directa e simpática possível. Nisto surge a questão “qual é o teu objectivo no Tinder?”, e apita o primeiro sinal claro, de que iria dar asneira. Respondi “conhecer pessoas novas?” e eis que ele responde muito revoltado “achas isto conhecer?”. Respondi ainda a acreditar que ele estaria a testar a minha capacidade de ter uma conversa em círculo “Pessoalmente é diferente claro. Mas por acaso gostaria de saber o que é que tu fazes aqui?”. Já praticamente a chutar para canto, até porque de um lado era o copo da sangria, do outro o telemóvel e todo um cheiro a sardinha, que exigiam alguma concentração da minha parte. Eis que ele responde esta verdadeira preciosidade “Estou a ver as carruagens do comboio a passar” e foi quando lhe respondi “Então continua a fazê-lo. Que o meu comboio vai-se embora”. E quando eu achava que ele teria o bom senso de se calar, ainda se sai com “Mas podemos conversa até eu adormecer…” e eu muito querida e afável respondi “Vai mas é dormir!”.

O comboio lá continuou a sua viagem. 24 horas passadas e tinha 29 matchs e 8 pessoas a pôr conversa. Não sei bem qualificar este tipo de resultados. Não consegui responder a todas, não é que não o merecessem mas tenho uma certa dificuldade em falar com várias pessoas ao mesmo tempo, o mesmo género de conversa. Às tantas estava a falar com duas pessoas, em que a conversa estava a ser agradável. E é aqui que entra o famoso funil de conversões em que de 25 matchs, surgem 8 conversas e dessas 8, apenas 2 são selecionadas. Tão simples como isto. Tau! Depois com a lei natural da selecção, acabei por me esquecer de responder a uma delas. E é aqui que acontece o mais revelador, quando se encontra alguém que realmente a conversa flui, o Tinder é esquecido. Se irei lá regressar? Isso fica para outro artigo.

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